
A criação de um espaço de formação artística diversificada para os jovens e acessível a todos foi a principal motivação do pintor Manuel Cargaleiro para aceitar conceber um museu com o seu nome no concelho do Seixal.
Cerca de oito anos depois do convite da Câmara Municipal do Seixal para construir o Museu-Oficina de Artes Manuel Cargaleiro, o protocolo para construção do projecto será assinado este domingo, pelas 17:00 na Quinta da Fidalga, local que acolherá o edifício.
Pinturas, cerâmicas, serigrafias, azulejos e outras peças decorativas fazem parte da colecção do pintor, que ficará exposta na Quinta da Fidalga a partir de Abril do próximo ano, isto de acordo com o calendário da Câmara Municipal do Seixal, responsável pela construção da galeria e remodelação de algumas alas da Quinta.
O Museu funcionará com duas valências complementares: a galeria de exposições permanentes e temporárias e a escola de formação profissional artística, idealizada por Cargaleiro há quase 20 anos.
Em entrevista à Agência Lusa, Manuel Cargaleiro confessa que até nem gosta "muito da palavra museu". "Acho que é um bocadinho de vaidade. Quando pensei no projecto para o Seixal era no sentido de fazer uma oficina de marcenaria, tipografia, cerâmica e restauro, criando um espaço para formar jovens que estão sem ocupação", afirma.
"Hoje, as obras de arte, sobretudo as dos artistas mais velhos, ficam inacessíveis, acho-as um pouco caras demais. Este museu serve para que a arte esteja acessível a todos os que a queiram aproveitar", salienta o pintor, que possui um espólio de milhares de peças.
O arquitecto Álvaro Siza Vieira é o autor do projecto para o Museu-Oficina de Artes Manuel Cargaleiro, um espaço de arquitectura moderna com cerca de 500 metros quadrados e que acolherá o espólio de Manuel Cargaleiro.
As salas para formação profissional artística serão instaladas no edifício da Quinta da Fidalga, um espaço que data do século XVI e que pertenceu a Paulo da Gama, tendo sido comprado aos familiares do navegador no ano de 2000 pela autarquia.
O projecto inicial previa um edifício que abarcasse as duas valências e ficaria situado na Quinta da Saudade mas as dificuldades de investimento, devido à não atribuição de fundos no âmbito do Programa Operacional para a Cultura dos dois anteriores quadros comunitários, inviabilizou a obra.
"Ainda mantemos este projecto inicial, que considero ser a Serralves da Área Metropolitana de Lisboa pelo facto de ser um projecto grande. Mas a solução de investimento não podia ser só municipal, daí o abandono temporário da ideia", referiu o presidente da Câmara do Seixal, Alfredo Monteiro.
Fonte: Ler mais... RTP